quarta-feira, 10 de agosto de 2005

Exponencial

[2004]
Vou colocar aqui um artigo muito interessante extraído do livro "Bilhões e Bilhões" do Carl Sagan. Tem bastante a ver com as aulas que eu tive sobre ecologia de populações no mestrado.


As exponenciais constituem a idéia central por trás da crise da população mundial. Durante a maior parte da existência humana sobre a Terra, a população era estável, com os nascimentos e as mortes quase em equilíbrio. Depois da invenção da agricultura, a população humana deste planeta começou a aumentar, entrando numa fase exponencial, que está muito longe do estado estacionário. No presente, o tempo de duplicação da população mundial é de cerca de 40 anos. Como Malthus apontou em 1798, uma população que cresce exponencialmente vai superar qualquer aumento concebível de alimentos. Nenhuma Revolução Verde, nenhum cultivo de plantas fora do solo, nenhum método que faça os desertos florescerem, nada disso poderá dar conta de um crescimento populacional exponencial.


Não há, tampouco, solução extraterrestre para esse problema. Atualmente, há mais 240.000 pessoas nascendo do que morrendo a cada dia. Estamos muito longe de poder enviar 240.000 pessoas para o espaço a cada dia. Mesmo que fosse possível enviar todo mundo sobre a Terra para planetas de estrelas distantes a uma velocidade maior que a da luz, quase nada mudaria - todos os planetas habitáveis da Via Láctea estariam lotados em aproximadamente um milênio. A menos que diminuamos nossa taxa de reprodução. Nunca subestime uma exponencial.


Parece estranho. Na maioria das vezes eu leio ou ouço as pessoas falando como se as exponencias tivessem deixado de ser um problema. Nunca deixou. Podemos ter postergado a solução desse problema com o uso de tecnologias mais avançadas, mas o poder da tecnologia não é infinito. O nosso planeta não é capaz de suportar um número infinito de pessoas.

Vamos lá, comentem!

domingo, 10 de julho de 2005

Education, Mathematics, Fun, Monty Hall Dilemma

Education, Mathematics, Fun, Monty Hall Dilemma
[2005]

É um link para a explicação do problema de Monty Hall. Vocês já ouviram falar? Lembram do Sérgio Malandro? Daquele quadro que tinha no programa dele: A Porta dos Desesperados?!

Ele te mostrava 3 portas, uma cheia de prêmios e outras duas com montros dentro. Tinhas que escolher uma. Aí ele abri auma outra porta e saía um monstro de dentro dela. E te dava a chance de escolher de novo, entre as duas que restavam!

A questão é: Faz diferença mudar de porta?

a) Não faz nenhuma diferença
b) as chances aumentam
c) as chances diminuem

O que vocês acham? Comentem e depois vão no site ler a resposta. (Está em inglês)

Tem muita gente que contesta a resposta certa e não se convence, mas é a mais pura verdade!

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Lei x Acaso

(2004)
Continuando com o tema da evolução, posto aqui esta nota retirada do livro do Gould (referência no final). Este é um trecho retirado de uma carta de Darwin. Pode ser interessante acrescentar aqui a diferência que Gould faz entre Acaso e Contigência. Acaso é como um lance de dados, mesmo depois de ocorrido, não há como explicar (é ao acaso). Contingência é parecido, não dá pra prever o que vai acontecer mesmo, mas depois que ocorre, dá pra entender e explicar o que aconteceu, como foi que aconteceu. Gould diz ainda que quando Darwin fala de acaso em sua carta, foi nesse sentido: o de contingência.

"Em relação ao aspecto teológico da questão. Este é sempre doloroso para mim. Sinto-me confuso. Não tive a intenção de escrever um trabalho ateísta. Mas reconheço que não consigo ver de modo tão claro quanto os outros fazem, e como eu próprio gostaria, as provas do desígnio e da beneficência em toda a nossa volta. Parece-me que há miséria demais no mundo. Não consigo me convencer de que um Deus onipotente e benévolo tenha deliberadamente criado as Ichneumonidae com a intenção expressa de que estas buscassem seu alimento no interior do corpo das lagartas vivas, ou de que o gato devesse se divertir com camundongos.

Por outro lado, não posso me contentar de modo algum ao ver esse maravilhoso universo, e especialmente a natureza do homem, e concluir que tudo é resultado da força bruta. Estou inclinado a olhar para as coisas como o resultado de leis planejadas, com os pormenores, sejam eles bons ou maus, deixados à ação do que podemos chamar de acaso".


- Darwin em carta à Asa Gray, retirado de A Montanha de Moluscos de Leonardo da Vinci - de Stephen Jay Gould, página 355.